segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Top 4: Melhores momentos de William Hartnell

     Uma das qualidades de Doctor Who é a habilidade que demonstra de não deixar o passado no passado, mas de o reconhecer frequentemente com referências nos seus episódios feitas intencionalmente para os fãs com o conhecimento mais enciclopédico. Recentemente, e para ser mais específico, nas ultimas duas histórias televisivas, tivemos a aparição do conjunto dos Classic Doctors no qual se inclui o homem que começou isto tudo, William Hartnell.

     Como muito bem documentado no filme "An Adventure in Space and Time", Hartnell, habituado a fazer papel de militar e figura de autoridade tinha receio sobre se este papel era o indicado para ele mas depressa se afeiçoou à misteriosa personagem conhecida apenas pelo título de Doctor. Apesar da sua saúde, que ia degradando ano após ano, ele sempre quis dar tudo ao papel e à série e não aceitava nada menos que o mais alto profissionalismo e perfeição. Por estes motivos, podemos dizer que o primeiro actor a interpretar o Doctor foi também o primeiro fã obsessivo da série.

     Por isso, pelo seu profundo afecto pela série, e como homenagem a esse grande senhor e grande actor que já não se encontra entre nós há umas décadas, dedico-me agora a analisar, não os melhores momentos do 1st Doctor, não as melhores performances enquanto actor, mas os momentos que considero ser os mais memoráveis de William Hartnell no papel.

4. Quando o 1st Doctor derrota um soldado romano à pancada



     O único momento cómico presente nesta lista, é seguro afirmar que quem viu isto um vez não se esquece nunca. O 3rd Doctor pode ter a reputação de ser quem toma acção pelas próprias mãos mas aqui verifica-se que esse instinto sempre esteve presente. A visão de um frágil William Hartnell a, não apenas derrotar, mas levar um jovem assassino romano a dar uma cambalhota sobre si próprio é deliciosa. Trata-se de um momento surrealista que surge sem que nada o fizesse prever, lembro-me perfeitamente de soltar umas gargalhadas e de ficar a olhar de forma confusa para o ecrã,, à medida que tão depressa como se tornou num guerreiro, o Doctor regressa às suas deduções lógicas e à persona de avô, característica da sua primeira incarnação.

3. As primeiras duas histórias



     Sou o primeiro a admitir que de certo modo isto é alargar bastante a definição de "momento" mas não havia maneira de não incluir isto na lista. Os serials conhecidos por "An Unearthly Child" e "The Daleks" foram verdadeiramente o que determinou que o show teria uma chance de ser um programa fixo na BBC e a maneira como Hartnell nos apresentaria esta nova personagem seria grande parte disso mesmo. O Doctor apresenta-se como um ser desagradável, arrogante, rude e egoísta, chegando a colocar todos em perigo apenas para satisfazer a sua curiosidade (base da história que levaria à introdução dos Daleks). Aliás, é possível argumentar que no "An Unearthly Child", o Doctor é o verdadeiro antagonista, raptando o Ian e a Barbara e querendo matar um homem das cavernas com uma pedrada na cabeça. Era misterioso, inteligente e manipulador. Apesar do homem afável em que se iria tornar ao longo da temporada (e que iria ser a base da maioria das incarnações subsequentes), nunca se é verdadeiramente capaz de esquecer o homem que era quando tudo começou.

2. A falsa saída de Steven Taylor

     Steven Taylor pode não ter o destaque histórico que se dá ao trio inicial de companions do 1st Doctor mas na verdade era uma personagem de qualidade que acabaria por fazer parte de um episódio que, pela primeira vez, deixava a claro o lado mais negro das viagens com o Doctor. Para dar contexto, nesta fase, o Doctor tinha como principal regra que eles não poderiam ter nenhum efeito que levasse a uma no passado (ao contrário da ideia actual que há apenas alguns pontos fixos na história) e no serial "The Massacre of St Bartholomew's Eve", quando o Doctor escolhe não travar as muitas mortes que estavam prestes a ocorrer, Steven decide que a falta de consideração do Doctor pelas vidas humanas é demasiado para o que ele é capaz de suportar (é preciso ter em conta que não eram as primeiras mortes que Steven presenciara, incluindo a primeira morte de um companion, honra que pertence a Katarina). Este iria voltar ainda no mesmo episódio, mas no momento em que sai da TARDIS pela primeira vez, o Doctor deixa-se finalmente afectar por toda a gente que o deixou nos últimos tempos.

     O destaque disto é que, apesar de ele ter sempre admitido que iria ter saudades das pessoas à medida que estas saem e de ter quase chamado pela Susan já depois de ela ter partido, sempre acabava por parecer seguir em frente após um par de episódios. Nesta cena, o Doctor demonstra o quanto todas essas despedidas o afectaram. Afirma que no fim, todos o deixaram e há genuína dor na sua voz quando lista os seus nomes. É um momento de grande qualidade ao nível da qualidade da actuação de Hartnell e um momento marcante da história do primeiro Doctor. 

1. A saída de Susan Foreman


     Toda a gente sabia que seria isto. É o momento mais famoso e mais frequentemente repetido da era do WH, e com motivos para tal. É um momento de pura perfeição em todos os sentidos. A personagem de Susan é muito acarinhada especialmente pela relação directa com o Doctor mas a personagem encontrava-se estagnada (por culpa dos argumentistas verdade seja dita) e era altura da Carole Ann Ford seguir em frente para outros papeis. A despedida marca a primeira saída de uma personagem da série dando início ao que seria a maior característica de Doctor Who, a constante mudança.

     Ao longo do serial "The Dalek Invasion of Earth", Susan tinha-se apaixonado por um humano, rebelde na revolução contra a invasão. Não sendo capaz de escolher entre o homem por quem se apaixonou e a sua vida com o avô, o Doctor decidiu por ela, trancando-a fora da TARDIS. O discurso de despedida é das melhores quotes que a série produziu nos seus 50 anos e a maneira como Hartnell interpreta as palavras é genuína vinda de um homem também triste com as mudanças que começavam a assombrar a série que tanto adorava e onde tinha encontrado uma posição e grupo de trabalho com quem estava confortável. No fim, quando diz adeus, o Doctor hesita olhar para o ecrã onde se encontra Susan, não sendo capaz de olhar para ela à medida de prepara a TARDIS para partir. Momento de grande tristeza, mas com esperança num melhor futuro. Mais que o melhor momento de William H. à frente da personagem, é dos melhores momentos de toda a era clássica.


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